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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Ressaca do mar em Santos é um alerta
sobre a elevação acelerada dos oceanos

Lídia Maria de Melo

Força da maré jogou barco "Gênesis" contra a mureta
O que é do mar o mar toma. Um dia Santos ficará sob as águas.
Cresci ouvindo essa profecia popular. Pessoas mais velhas repetiam-na como se fosse uma verdade inquestionável. Quem era criança se impressionava. Os adolescentes, com sua natural arrogância, desdenhavam. Bobagem!
Lembro-me de uma inspetora de alunos da escola em que eu estudava o Curso Normal, para me formar professora, dona Lídia, minha xará, a dizer repetidas vezes que gostaria de voltar a morar no interior do Estado de São Paulo. Ela era de Olímpia e temia que o mar invadisse Santos inteira. Apesar de ouvi-la com educação, eu acreditava que o medo de dona Lídia jamais iria se concretizar. Crendice!
Erosão na Praia da Aparecida, em Santos,
sugere que a faixa de areia já foi aterrada
Minha mãe até hoje relata que, quando chegou a Santos, em 1953, ainda uma menina, o bairro da Ponta da Praia era praticamente composto por manguezal e chácaras de japoneses que cultivavam chuchus. Com exceção das avenidas e ruas mais nobres, a maioria das vias era de terra batida, sem asfalto. Isso ocorria, por exemplo, na Vila Hayden, no Bairro do Embaré, em ruas como a Bambual e a Frei Francisco Sampaio, entre outras.
Mureta quebrada pela ressaca de domingo
Sessenta e três anos depois, o próprio mar confirma a profecia popular.
No domingo pela manhã, percebi que as águas, normalmente tranquilas como as de uma piscina, espumavam demais. O mar estava de ressaca, como se houvesse bebido excessivamente e agora quisesse pôr fora tudo o que lhe fazia mal. Do alto, tive a impressão de que as ondas alcançavam a Fonte do Sapo.
Por volta das 16h30, a desconfiança virou certeza.
A maré subiu 2,60 m, alagando as duas pistas das avenidas Saldanha da Gama e Bartolomeu de Gusmão, na Ponta da Praia, além de garagens de edifícios e do Clube de Regatas Vasco da Gama. Com a ajuda do vento que soprava forte desde a madrugada, atingindo 90 Km/h, segundo a Base Aérea de Santos, e da chuva, a ressaca do mar fez estragos.

Calçada à beira-mar ficou esburacada
  video
                                        Vídeo mostra mureta que margeia o canal do estuário

Quebrou mais uma vez, em vários pontos, a mureta branca da Ponta da Praia, derrubou árvores, esburacou calçadas de mosaico português, lançando pedras à distância, arrastou um contêiner para a avenida da orla, alagou o Museu de Pesca, quebrou o Píer do Pescador, jogou o barco "Gênesis" contra a murada que margeia o canal de entrada do Porto de Santos, perto da estação das barquinhas que fazem a travessia entre Santos e Guarujá. A Ponte Edgard Perdigão também ficou inundada. Ali, moradores do bairro guarujaense de Santa Cruz dos Navegantes e da Praia do Góes embarcam e desembarcam em Santos.

Vento e ondas destruíram brinquedos na Praia da Aparecida  
A travessia de barcas e balsas entre Santos e Guarujá foi interrompida por duas horas.
Na Praia da Aparecida, a Fonte dos Sapos transbordou de água salgada. Dos brinquedos instalados na areia, sobraram carcaças. Na faixa de areia, as tubulações subterrâneas ficaram expostas, assim como dutos e as raízes dos coqueiros plantados pela Administração Pública.
Lama comprova que água do mar invadiu a Fonte do Sapo
Tubulações e dutos subterrâneos ficaram expostos na praia

Na segunda-feira, causava impressão forte a erosão das camadas de terra na praia.
Tenho poucos conhecimentos geológicos a respeito de Santos. Sei que a cidade possui o segundo pior solo do mundo para construções (o primeiro é o da Cidade do México), devido a uma camada de argila muito espessa. Por isso, os prédios mais antigos, erguidos no sistema de sapatas, sem fundação com estacas, são tortos. Nossa orla marítima ostenta uma coleção de edifícios tão inclinados que deixam a italiana Torre de Pisa com inveja.
Maré alta jogou contêiner na calçada
Sei também que a areia das praias de Santos é escura por dois motivos: por ser muito fina, o que a faz reter muita umidade, e por ter mais minerais pesados, como mica preta brilhosa, por exemplo, e matéria orgânica, vinda do mangue (decomposição de folha, galho e outros elementos naturais).
Apesar de não ser especialista, fiquei com a impressão de que algumas praias de Santos foram aterradas e a ressaca levou essa camada artificial, deixando apenas a que realmente faz parte da composição original, na Ponta da Praia e na Aparecida.
Será que falo bobagens? Estou tentando ouvir um especialista.
Parte da mureta branca foi derrubada mais uma vez
Não vou me alongar sobre esse assunto, porque não tenho informações exatas sobre esse fato. As fotos que fiz na segunda-feira são mais eloquentes. A paisagem que a ressaca deixou leva-me a pensar que o homem aterrou a faixa de areia e o mar veio tomar de volta o que é dele por direito, fazendo valer e se concretizar a profecia popular: "O que é do mar o mar toma. Um dia, Santos vai ficar sob as águas".
Vento de 90 Km/h e  ondas derrubaram coqueiros
Iniciada em 2006 e concluída em 2009, pesquisa do engenheiro e professor Gilberto Berzin  e do biólogo Renan Braga Ribeiro, do Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas da Universidade Santa Cecília (Unisanta), concluiu que Santos terá áreas extensas alagadas e atingidas pelas ondas, em função da elevação do nível dos oceanos. Isso, até o final deste século.
Píer do Pescador foi totalmente destruído

Garagem de subterrânea foi inundada pela água salgada
Em reportagem da jornalista Andrea Rifer publicada no jornal A Tribuna, sob minha supervisão editorial, em 3 de dezembro de 2009, os dois pesquisadores alertavam para a necessidade de planejamento para enfrentar o problema.
Eles sugeriram que esse planejamento tomasse como base a experiência da cidade de  Amsterdã, na Holanda, que tem parte de seu território a 2 metros abaixo do nível do mar. Veja a reportagem aqui.
Os sinais do Oceano Atlântico estão nos alertando: ou agimos rapidamente, ou teremos que dar adeus ao litoral.
Canal 6 é um dos que drenam a cidade de Santos, como
 parte do projeto centenário do sanitarista Saturnino de Brito 

domingo, 21 de agosto de 2016

Ao fazer Olimpíada impecável, Rio de Janeiro deu tapa com luvas de pelica no preconceito

Vista do Morro do Pão de Açúcar e seus bondinhos
Vista do Pão de Açúcar e do Corcovado, ao fundo,
na Baía da Guanabara
Lídia Maria de Melo
Ainda vou escrever uma postagem mais consistente sobre a Olimpíada Rio 2016.
A simpatia e a competência do velocista jamaicano Usain Bolt, as conquistas do nadador norte-americano Michael Phelps e da ginasta Simone Biles, a ausência do nadador brasileiro César Cielo, recordista dos 50 metros livres, o talento das jogadoras brasileiras de futebol feminino e a necessidade de patrocínio e mais espaço nos veículos de  jornalismo esportivo, a questão dos atletas que integram o projeto das Forças Armadas, o papelão do nadador Ryan Lochte, as vaias e o choro do francês do salto com vara, as invenções do jornalista do Le Monde em relação às declarações do técnico   francês, a cobertura jornalística antes e depois da
cerimônia de abertura da Olimpíada, o sucesso do tenista Guga Kuerten como comentarista da TV Globo, a eficiência da ginasta Daiane dos Santos nos comentários sobre a ginástica artística, o exorcismo do 7x1 de 2010, o desempenho de Neymar, a serenidade do treinador Rodrigo Micale...
Esses e muitos outros temas poderiam ser alvos de postagens sobre os Jogos Olímpicos do Rio. Hoje, porém, quando estou gripada e ainda curto a ressaca da conquista da Medalha de Ouro pela Seleção Brasileira de Futebol sobre a Seleção da Alemanha, só quero dizer que o Brasil deu um tapa com luva de pelica em todos os preconceituosos (imprensa e países estrangeiros e imprensa brasileira) que duvidavam da capacidade da cidade do Rio de Janeiro para realizar a Olimpíada 2016.
No ano de 2009, quando houve a escolha da Cidade Maravilhosa como sede destes Jogos Olímpicos, cheguei a fazer uma postagem comentando o desdém de Madri, ao ser anunciado o nome do vencedor, o município do Rio.
Hoje, está confirmado: deu tudo certo.
Na verdade, já sabíamos. Porém, brasileiro parece mesmo ter complexo de vira-latas. Precisa que outros digam que somos capazes.
Não é necessário que nos digam.
O Brasil tem defeitos, mas suas qualidades são infinitas também.
Nós sabemos disto. Está na hora de nos orgulhar mais de nossas potencialidades. Sem ufanismo, mas com altivez, como fazem os atletas olímpicos. Cada um que disputa uma modalidade esportiva sabe do que é capaz e do que não é. Somente os que têm autoconfiança, empenho e determinação alcançam o topo do pódio.
Obrigada, Rio de Janeiro. Mesmo com todos os seus problemas, mais uma vez você mereceu o título de Cidade Maravilhosa.
Não fui ao Rio. Acompanhei os jogos pela televisão. Porém, tive a oportunidade de acompanhar a passagem da Tocha Olímpica por Santos no dia 22 de julho. Fiquei feliz por ter feito parte desse momento da história das Olimpíadas.

domingo, 14 de agosto de 2016

Superações de Rafaela Silva e de Diego Hypólito mostram importância de apoio psicológico

Lídia Maria de Melo
Os desempenhos dos atletas Rafaela Silva (ouro no judô) e Diego Hypolito (prata no solo da ginástica artística) na Olimpíada Rio 2016 evidenciam a importância que um tratamento psicológico pode ter na vida de uma pessoa atingida por um trauma emocional.
Rafaela sofreu com a desclassificação na Olimpíada de Londres, em 2012, e posteriormente com os ataques de internautas postados em redes sociais.  A judoca carioca entrou em depressão e pensou em abandonar o esporte.
Só decidiu retornar ao tatame após o acompanhamento de uma psicóloga.
O resultado foi a conquista da medalha de ouro olímpico na categoria 57 quilos, na última segunda-feira, dia 8.
Diego Hypolito também enfrentou problemas emocionais, depois de sofrer duas quedas durante apresentações olímpicas: em Pequim (2008) e Londres (2012).
A superação veio agora no Rio, depois de muito treinamento e acompanhamento psicológico. Hoje, finalmente Diego pôde desabafar: "Nunca deixem que digam até onde vai o seu sonho".
No dia a dia, não se deve  negligenciar problemas emocionais, acreditando que sempre será possível superá-los sem ajuda profissional.
Se para manter a saúde do corpo, busca-se acompanhamento médico, por que não procurar um psicólogo ou um psiquiatra quando a mente ou o emocional exigir?
Recorrer a auxílio especializado não deve ser visto como sinal de fraqueza. Rafaela e Diego são exemplos de que o cuidado com a mente também é uma atitude salutar. Deram a volta por cima e alcançaram seus objetivos. Superaram os fantasmas que os atormentaram. Estão felizes. Fizeram o Brasil feliz.




terça-feira, 2 de agosto de 2016

Você sabe o que é "cutruvia" e " catraia"?

Lídia Maria de Melo

Quando alguém me pede o sinônimo de uma palavra, invariavelmente pergunto: "Qual é a frase?".
A pergunta tem fundamento. Uma palavra fora do contexto pode concentrar diversos sentidos (polissemia), ou não ter sentido algum.
O contexto é um conjunto de circunstâncias que ajudam na compreensão de uma mensagem. A partir dele, um fato ou um vocábulo adquire significado.
Na novela Velho Chico, escrita por Benedito Ruy Barbosa, Edmara Barbosa e Bruno Luperi,  e apresentada na Rede Globo às 21 horas, a personagem Luzia costuma usar as palavras "catraia" e cutruvia".
Pelo contexto em que são empregados, não há dúvidas de que a mulher de Santo dos Anjos atribui aos dois termos uma carga semântica bastante ofensiva.

Catraia no Porto de Santos

Catraias atracadas na Bacia do Mercado, em Santos. 
À esquerda, o canal sob o  Porto.
Desde criança conheço a palavra "catraia". Trata-se de um barco, com um motor, tripulado por uma pessoa, o catraieiro.
Na travessia entre Santos e o distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, a catraia transporta 25 passageiros sentados, além do catraieiro.
Em Santos, o embarque (e desembarque) é feito na Bacia do Mercado.
A catraia segue por um canal, sob o cais do Porto, até alcançar o Canal do Estuário para, após atravessá-lo, atracar em outra estação de embarque e desembarque em Vicente de Carvalho.
Catraia.
Quando a maré está baixa, as catraias chegam a atolar no fundo do canal sob o Porto. Quando está alta, os passageiros precisam se curvar, mesmo sentados, para não baterem a cabeça no teto de concreto. Se a passagem fica inviável, a atracação é feita no cais do Porto mesmo e as catraias não chegam à Bacia do Mercado.
Se duas catraias se encontram em direção contrária dentro do canal sob o Porto, a água muitas vezes respinga nas roupas dos passageiros. Devido à concentração de óleo, as manchas se revelam quando os respingos secam. A única forma de retirar esse óleo da roupa é esfregar óleo de cozinha no local, até sumir a mancha. Depois, é só lavar.
Não ando de catraia há muitos anos. Acho que há mais de quatro décadas, mas de vez em quando passo perto da Bacia do Mercado e tudo está como sempre.
Voltando ao sentido da palavra "catraia", o que eu conheço nada tem a ver com o empregado por Luzia, em Velho Chico.
A mulher de Santo dos Anjos utiliza o termo para ofender Maria Tereza de Sá Ribeiro, a antiga e eterna paixão de seu marido. E não se trata de uma invenção semântica da personagem.
O dicionário Aurélio Século XXI (edição de 1999) registra "catraia" com quatro acepções, que são:

  1.  barco de pequeno porte; 
  2.  pequena construção, casinhola; 
  3.  meretriz; 
  4.  meretriz de baixa classe.
O dicionário Míni Houaiss (2008) e o Dicionário da Língua Portuguesa Comentado pelo Professor Pasquale (2009) só admitem "catraia" no sentido de barco pequeno.

Cutruvia
Se "catraia" é reconhecida pelos dicionários, inclusive pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), ao menos no sentido de "barco", o mesmo não ocorre com "cutruvia", outro xingamento do repertório de Luzia.
Essa ofensa repetida à exaustão contra Maria Tereza não tem registro no VOLP, nem nos dicionários citados acima.
Segundo o site O Nordeste.com , o Dicionário do Palavrão e Termos Afins, de Mário Souto Maior (2010), registra "cotruvia" (com "o") como prostituta de ínfima classe.
O site Dicionário Informal  apresenta dois conceitos para a palavra:
  1.  Mulher da vida, que se relaciona com homens comprometidos. Meretriz. Amante.
  2.  Pessoa por quem se nutre antipatia. 
Assim, "cutruvia", na linguagem falada, designa prostitutas.
Mesmo que não houvesse registro em nenhum local, seria fácil perceber seu significado. Bastaria prestar atenção à maneira como Luzia se expressa.
O contexto seria suficiente para esclarecer as dúvidas semânticas.

sábado, 30 de julho de 2016

Olimpíada também gera empregos e aquece o setor hoteleiro. Por que tanta crítica?

Há pessoas que cultivam o hábito de reclamar dos feriados brasileiros. Porém, elas se esquecem de que os setores de hotéis, restaurantes e entretenimento têm o maior fluxo de caixa durante as férias e os feriados.
Criticam também o Carnaval e a Olimpíada do Rio, mas não enxergam que empregos são gerados com esses eventos e o setor turístico (hotéis, restaurantes, entretenimento) lucra bastante.
A área de transportes também não fica atrás. Depende da movimentação maior de turistas internos e externos.
Não consigo entender! Parece que torcem contra o Brasil.
É certo que temos problemas, mas não podemos permanecer estagnados e não atuar em circuitos diversos.
Outra coisa: não é verdade que em outros países não existem tantos feriados como no Brasil. 
Em 2014, o Uol publicou um quadro com um ranking que derruba esse mito de que nosso País tem feriados demais.
Dá vontade de mandar esse pessoal ir catar coquinho.

domingo, 24 de julho de 2016

Tocha Olímpica em Santos, emoção para sempre

22 de julho de 2016.
Esperei duas horas (das 11h50 às 13h45) para ver a Tocha Olímpica em Santos, mas valeu a pena.
Uma emoção! Principalmente, porque se trata de um símbolo de união entre os povos.

Na orla da praia, pude testemunhar o chamado "beijo olímpico" ou "beijo da chama", que é o momento em que uma tocha encontra-se com outra e a acende.  


Depois de ter passado pelas cidades de Praia Grande e São Vicente, onde passeou de teleférico e voou de paraglider, chegou a Santos, no bairro do José Menino. De lá, seguiu pelo Canal 1 até a Vila Belmiro, no Estádio Urbano Caldeira, do Santos Futebol Clube. Na sequência, foi levada pelo Canal 2 novamente até a orla da praia.  


Acompanhei-a da Fonte dos Sapos, entre os canais 5 e 6, até o Aquário Municipal, na Ponta da Praia. Dali, seguiu para Guarujá, pelo mar, de catraia, nas mãos do surfista Mineirinho. 
Foi uma manhã de festa, ao som de aplausos, ovações, bandas escolares, carro de som, buzinas. 



Pena não ter acompanhado o trecho próximo ao Canal 2, onde uma integrante da Força Nacional carregou a tocha e seus companheiros cantaram "Minha vida é andar por este País/ pra ver se um dia descanso feliz", a  exemplo do que ocorreu em Fortaleza.
Quando essa moça passou a tocha para Cidão Mello, ex-jogador da Seleção de Vôlei, todo o grupo da Força Nacional se juntou e fez uma foto, comemorando.
Cidão, por sua vez, incluiu na última hora uma passagem por um trecho do jardim da orla. 
No final da tarde, a Tocha Olímpica retornou de Guarujá para Santos, em um cortejo de  canoas havaianas, nas mãos do canoísta Fábio Paiva. (Clique no vídeo abaixo, para assistir).
video

O revezamento continuou em outros bairros da cidade de Santos, como o Valongo, onde está o Museu Pelé. Ali, houve a participação do Atleta do Século.
Depois de andar de bondinho pelo Centro Histórico, a tocha foi levada por atletas olímpicos até a Praia do Gonzaga, onde o ex-jogador Pepe, do Quinteto Mágico do Santos (Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe) acendeu a Pira.
Foi um espetáculo inesquecível.
Uma imagem para permanecer eternamente na memória.

Reveja aqui o vídeo dirigido por Fernando Meirelles e apresentado pelo Brasil na candidatura pela realização da Olimpíada de 2016.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Nevoeiro

Lídia Maria de Melo

Madrugada em Santos
e a neblina envolve toda a cidade.
Faz desaparecer ruas e avenidas,
arranha-céus e arvoredos.
Somente pontos de luzes se sobressaem.
Tudo mais sucumbe ao nevoeiro denso e frio
nestas horas de sonos profundos
e almas solitárias.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Cassius Clay, para sempre um campeão

Nascido em 17 de janeiro de 1942, nos Estados Unidos, Cassius Clay, ou Muhammad Ali, morreu no dia 3 de junho deste ano em seu país.
Parece tarde, mas não é, para prestar minha reverência pública ao grande ídolo de minha infância.
Ídolo que citei na página 23 de meu livro "Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós".
O pugilista afro-americano foi um homem de atitude. Preferiu cumprir 5 anos de prisão, perder o título de campeão do mundo e o cinturão de ouro, a ter de matar ou morrer na Guerra do Vietnã. 
Meu pai o admirava extremamente por esse ato e por outras posições políticas que assumiu ao longo de sua vida.
Tornou-se um verdadeiro herói. Um super-herói.
Descanse em paz, campeão! Seu nome está gravado na História.
Na página 23 de meu livro "Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós",
cito a admiração de meu pai por Cassius Clay. 


sexta-feira, 13 de maio de 2016

Agora, a palavra "crise" tornou-se proibitiva

Um aspecto do discurso de posse do Michel Temer, ontem, foi mais eloquente do que todo o resto.
O presidente em exercício do Brasil empregou um slogan antigo, cuja autoria desconheço, mas que foi utilizado há décadas no Litoral Paulista pela empresa Guarujá Veículos. Ei-lo: "Não fale em crise, trabalhe". 
Quando ouvi, pasmei! 
Até o período da manhã, "crise" era a palavra mais massacrada pela oposição. 
À tarde, ela se tornou proibitiva, como num passe de mágica. 
Então me veio a dúvida: será que têm razão os economistas que defendem a tese de que a crise foi criada pela técnica da exaustão? 
De tanto que se repetiu a palavra, ela se concretizou, afastando investidores, dificultando as relações comerciais, os negócios... Migrou do mercado financeiro para a economia, atingindo-a de modo incisivo. 
Agora, a técnica usada de maneira inversa servirá de antídoto para o veneno criado em laboratório. Interessante! Muito!...
Parafraseando Frei Betto, "é preciso aprender a ler as entrelinhas".


quinta-feira, 5 de maio de 2016

Agenda lotada

Agora, no STF, julgamento do afastamento de Eduardo Cunha.
Agora, no Senado, comissão debate parecer sobre impeachment de Dilma Rousseff.
Solução: um ouvido no Supremo e outro no Senado.
Tradução: um olho no gato e outro no peixe.

Sem censura. Sem autoritarismo.

"Pai, afasta de mim esse cálice". Em 1973, Chico Buarque e Gilberto Gil tiveram os microfones cortados em um show, no momento em que cantavam a música "Cálice". Foi a concretização da censura, quando o "cálice" virou "cale-se".
Hoje, o deputado Waldir Maranhão, presidente interino da Câmara dos Deputados, reeditou o "cale-se", encerrando a sessão do Legislativo, quando os parlamentares usavam a tribuna para comentar a suspensão do mandato de Eduardo Cunha pelo STF.
Os deputados, então, puseram em prática o "afasta de mim esse cálice (cale-se)". A deputada Luíza Erundina sentou-se na cadeira da presidência e os demais passaram a se pronunciar, mesmo com os microfones cortados. 
Não à censura. Não ao autoritarismo!


domingo, 24 de abril de 2016

Para que nunca mais aconteça

Hoje, completam-se 52 anos da chegada do navio Raul Soares ao Porto de Santos, para servir de presídio político da ditadura militar. 
Quem acompanha o que costumo escrever sabe que meu pai foi um dos presos dessa embarcação, que conheci por dentro aos 6 anos de idade. 
Hoje, não escrevi sobre esse fato. Preferi alertar para o recrudescimento das ideias ditatoriais em nosso País. 
O artigo de minha autoria e intitulado "Para que nunca mais aconteça" está no jornal A Tribuna, de Santos, edição de hoje, na seção Tribuna Livre (página A-2), conforme imagem ao lado e reprodução de texto abaixo:

Para que nunca mais aconteça


Lídia Maria de Melo.
 Jornalista, professora do curso de Jornalismo e membro do Grupo de Pesquisa Grupo de Direitos Humanos e Vulnerabilidade da UniSantos e autora do livro "Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós".

É difícil imaginar que, na face da Terra, milhares de seres humanos, em idade de entendimento, não saibam o que ocorreu na Europa durante a Segunda Grande Guerra por iniciativa do regime nazista, sob o comando de Hitler. É público e notório o extermínio de judeus, homossexuais, ciganos, eslavos, comunistas, testemunhas de Jeová, pessoas com deficiência física e mental. O conhecimento generalizado dessa barbárie só está consolidado, porque os judeus não permitem que o mundo se esqueça.
A Alemanha, berço do nazismo, determinou  no pós-guerra o estudo  do passado, para que aqueles atos nunca mais voltem a se repetir.
Na África do Sul, por 46 anos, prevaleceu o regime segregacionista Apartheid. Quando Nelson Mandela deixou a prisão, após quase três décadas, tornou-se presidente. Para reconstruir o país, instituiu um governo de coalizão. Porém, criou uma Comissão de Verdade e Reconciliação, que poderia perdoar torturadores, desde que eles confessassem seus crimes e pedissem desculpas públicas às vítimas.
A Argentina, que enfrentou sete anos de ditadura, conviveu com a morte e o desaparecimento de 30 mil pessoas. A população conhece detalhes dessa trágica história de crimes que violam todos os preceitos humanitários.
O Brasil viveu 21 anos em regime ditatorial. Nesse período, o Congresso foi fechado, a Constituição de 1946 foi rasgada, 17 atos institucionais suprimiram direitos civis. As eleições e o habeas corpus acabaram suspensos. Ter um objeto vermelho poderia ser prova de subversão. Não era preciso antecedente criminal ou engajamento político para justificar prisão arbitrária.
Todo preso político era julgado pela Justiça Militar. Os processos se arrastavam por anos, antes da indefectível absolvição por falta de provas. Milhares de civis e militares foram presos, sem culpa formada. Quem ousou enfrentar as Forças Armadas foi classificado como terrorista. Todos sofreram punições: prisão, interrogatório, demissão, processo, tortura, exílio, cassação, morte ou até desaparecimento. Nem a Lei de Anistia, de agosto de 1979, compensou as perdas.  Marcas fincadas na alma jamais se apagam.
Quem, em nome do Estado, prendeu ilegalmente, torturou, matou, escondeu corpos, até hoje não encontrados, também foi anistiado, sem punição.
Toda essa História está documentada. O Projeto Brasil Nunca Mais, por exemplo, é composto por material recolhido nos processos que tramitaram na Justiça Militar. O relatório da Comissão Nacional da Verdade está na internet.
Com tanto material à disposição, por que milhares de brasileiros, regidos por um ordenamento jurídico que classifica a tortura como crime de lesa-humanidade, são capazes de apoiar a homenagem do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (1932-2015) na Câmara dos Deputados? Alcunhado de Doutor Tibiriçá, o coronel foi o primeiro agente da ditadura a ser reconhecido pela Justiça, em 2008, como torturador. Ele não poupava homens, mulheres ou crianças.
Exceto os que convictamente defendem a ideologia da tortura, quem idolatra Brilhante Ustra e Bolsonaro não sabe o que aconteceu. Alimenta-se de boatos.
No Brasil, o assunto não é aprofundado. O País falhou, não seguindo o exemplo dos  judeus, da Alemanha, África do Sul e Argentina. Há iniciativas isoladas, mas, de modo geral, a ditadura militar é abordada superficialmente.  Se quisermos evitar a repetição dessa História, precisamos estudar de fato esse assunto. Para que nunca mais aconteça.  


terça-feira, 15 de março de 2016

Como conjugar o verbo haver sem errar

Para o pessoal que gosta de saber regras e para aqueles que têm dúvidas.
O verbo "haver", no sentido de "existir, acontecer ou ocorrer", é sempre utilizado na terceira pessoa do singular, independentemente do tempo, modo ou forma.
Jamais se deve dizer, por exemplo, "Houveram muitas situações". O correto é: "Houve muitas situações". "Há muitos casos". "Havia muitas reclamações". "Vai haver muitas contestações". "Poderá haver muitas queixas".
O verbo "haver" é conjugado quando está na função de auxiliar: "Os funcionários receberam abono, porque haviam feito hora extra". (Nessa frase, "haver" é auxiliar de "fazer").
Quando tem outros sentidos (que não sejam "existir", "acontecer" e "ocorrer"), ele também é conjugado. Esses sentidos são pouco usuais, mas na área de Direito costumam aparecer.
Fique atento.

Leia mais sobre a conjugação do verbo haver  no artigo "Emprego do verbo 'haver', no sentido de 'existir', 'ocorrer' e 'acontecer', exige atenção", publicado no blog Prosa Linguística, onde escrevo especificamente sobre questões linguísticas. 

domingo, 13 de março de 2016

52 anos do Comício da Central do Brasil

Direto do túnel do tempo.

Em 13 de março de 1964, uma sexta-feira, cerca de 200 mil pessoas lotaram a Praça da República e a Praça Cristiano Otoni, em frente à Central do Brasil, no Rio de Janeiro, em apoio às reformas assinadas pelo então presidente João Goulart, Jango.
As reformas incluíam o encampamento das refinarias privadas de petróleo pela Petrobrás e a reforma agrária, além da lei das remessas de lucro.
Pesquisas do Ibope indicavam que a maioria da população apoiava as iniciativas do governo.
Em 1.º de abril de 1964, o governo foi derrubado por um golpe militar, que deu início à ditadura que durou 21 anos.
Edição vespertina do jornal Última Hora, no dia 14 de março de 1964, registra o fato.
13 de março de 2016, manifestações contra a corrupção, em favor da Operação Lava Jato e em apoio ao impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Coincidência de datas? Acho que não. 

terça-feira, 8 de março de 2016

Um mundo só feminino seria uma chatice

Tenho um colega jornalista, muito provocador, que, quando trabalhávamos na mesma Redação de jornal, costumava dizer algo mais ou menos assim: "Ah, vai lavar roupa". 
Eu respondia, também mais ou menos assim: "Vou sim. E depois venho aqui desempenhar a mesma função que você".
Neste Dia Internacional da Mulher, deixo aqui, para nós, que nos reinventamos a cada dia, uma azaleia cultivada no terraço de meu apartamento. 
Mas faço questão de dividir a beleza dessa flor com os homens, como o meu colega da história acima, porque, se o mundo fosse apenas feminino, convenhamos, seria muito chato.
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